quarta-feira, 30 de abril de 2014

O final feliz

Se te escrevesse hoje, dir-te-ia que não estou triste. Que não mais ficarei triste. Cada vez me pergunto mais o que é isso do happy ending. A minha avó enganou-me. Não encontro, à minha volta, o happily ever after. Nem nos filmes que, na verdade, ficam a meio, numa cena qualquer dramática ou heróica e não contam o resto. Viver em consciência com as nossas decisões, dizes tu, é a verdadeira felicidade. Decidi a minha e escolhi o meu fim, o nosso fim. O nosso tempo parou naquela noite, naquele momento. O feliz. O intenso. Dessa forma, escolho o meu final feliz. Escolho guardar-te sempre, marcar-te bem, trazer-te em mim. Escolho fugir à realidade, ao dia-a-dia, às contigências que, um dia, trariam os meus pés de volta ao chão. Escolho o beijo na testa, as mãos dadas, as palavras doces.

Vou guardar-te bem.

 

terça-feira, 29 de abril de 2014

Um bom plano

 

Sou tão egoísta

Que fico feliz por cada mensagem triste que recebo, por ter fechado o meu blogue (o outro).
Mas fico, ainda mais feliz, com a liberdade que o novo (este) me dá.

Assim pequenino, com pouquinhas (quase nenhumas) visitas. 
Nem sempre tenho algo de interessante para dizer, mas o que dizer, tenho sempre. Poder fazê-lo, não tem preço.

Sou só eu?

Detesto expressões como "mor", "baby", "bebé". Nem vou falar do "gatinha linda" que me disse um, nesse maravilhoso chat do facebook, há pouco tempo...
Mas, quando diz o meu nome... Aí, sim, estremeço.

Tudo inventam

E a última que descobri foi massa crua comestível.
Diz que não se deve comer massa crua por causa dos ovos.
Eu, que tive uma avó que tinha uma gelataria, sempre lambi colheres e tachos, de massa crua ou de gelado "quente" (antes de congelar). Tinha sabores preferidos, nesse estado ainda por finalizar, e tudo. Posso dizer que não há massa crua como a dos éclaires (ou duchésses, que era como a minha avó lhes chamava e eu não sei escrever). A dos scones também é fixe.
Vi isto da massa crua comestível no Pinterest, pelo que estou convencida que seja uma americanisse, que esses em matéria de comida, têm de tudo o que se possa imaginar. O objectivo da receita é mesma fazer uma massa, que nunca verá a luz do forno,para se comer à colher. Como boa receita americana que é, a original, pareceu-me muito doce, por isso fiz umas alteraçõezinhas, como usar menos açúcar, não pôr extracto de baunilha, nem acrescentar pepitas de chocolate. Também pus um niquinho de nada de fermento, que massa crua de bolos, para mim, tem que ter aquele travozinho de fermento. Num Domingo à tarde de preguiça, a papar filmes, de pijaminha e cadela ao colo, soube-me que nem ginjas. 

Ingredientes:
- meia chávena de açucar mascavado (mal medida, senão fica enjoativo)
- 2 colheres de sopa de manteiga amolecida
- uma colher e meia, de sopa, de leite;
- 1/3 de uma chávena de farinha;
- 1 pitada de sal
- 1 pitada de fermento

Misturar primeiro o açúcar com a maneira e incorporar, depois, os restantes ingredientes. Basta misturar tudo com um garfo. Os americanos, claro, fazem num pricessador, que trabalho não é com eles. Comi com o próprio garfo, que a gulodice era muita.

Burro velho

Desde pequena que me convenci que se comunicar todas as palavras que há em mim, as pessoas vão entender-me e, sobretudo, gostar de mim. 
Elas há que usam a sua melhor mini-saia,  há as que dizem a melhor piada, há as que acreditam nessa história de prendê-los pelo estomago e as modernilhas, que se esforçam no sexo.
Longos textos, com o meu melhor vocabulário, a melhor pontuação (tem dias) em busca de validação. Acreditando, sempre, sempre, sempre que será o caminho para o encantamento.
Sempre acreditei que se disser, por palavras  bonitinhas o quanto gosto, a reciprocidade chegaria. Nunca chegou, nunca resultou, nunca foi.
E mesmo assim, não me calo.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

domingo, 27 de abril de 2014

Está boa e recomenda-se

Hoje perguntaram-me como ia a minha vida amorosa e a verdade é que, hoje, neste preciso momento, está óptima. E não, isso não significa que me tenha aparecido um cavaleiro andante. Estou sozinha. Mas feliz. 
Não estou a recuperar de nenhum desgosto, não estou a tentar conquistar alguém e sinto que todos os meus capitulos, nesse campo, se encontram bem resolvidos. Hoje, se me perguntassem ontem, talvez nem tudo estivesse tão resolvido, perguntem-me amanhã e logo veremos. Hoje é esse o estado de espirito. E é de aproveitar. Conhecer alguém que me provoque urgências, correspondidas ou não, é só uma questão de tempo, que a vida é mesmo assim. Nem vale a pena procurar, a coisa dá-se, acontece e não há nada a fazer. 
Por ora, estamos bem. Eu e ela, a vida amorosa. 

Telhados de vidro

Até há bem pouco tempo, tinha um outro blogue, no qual também escrevia sob um pseudónimo, mas que, de anónimo tinha já muito pouco.
A falta desse anonimato retirou-me o prazer da coisa. Já escrevia a pensar nas mentes de quem o poderia ler. Que iria aquela pessoa pensar, ou a outra. Auto-flagelei-me por, a pouco e pouco, ir contando a este e àquele "este é o meu blogue". Quando o fiz, acreditei, inocentemente, que não tinha nada a esconder, que os textos deixaram de ser meus, assim que os pusesse à mercê do mundo, numa página de internet. Acreditei que uns se identificariam, outros odiaram, e outros, ainda, não entenderiam. Aquilo com que não contei foi com aqueles que mais que ao prazer da  leitura, se dedicaram à leitura da autora, tentando, não ver através de mim, mas por dentro de mim. Senti-me nua. 
Dizem que espirito de autora é isso mesmo. Passar ao lado do julgamento, ignorar as teorias "conspiradas" e conseguir manter o espirito crítico, num mundo paralelo ao da curiosidade alheia. Talvez essa seja apenas mais uma das razões pelas quais não me posso considerar autora. Talvez seja apenas falta de inteligência emocional. Talvez sejam demasiados telhados de vidro. Não era para mim.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Que farias tu?

Uma colega, num momento de desespero, contou-me que estava sem dinheiro para pagar a casa. 
Nessa noite, a casa ardeu. Toda. 

Telhados de vidro

Contaram-me, esta semana, que os avós duma criança cujos pais se estão a divorciar, apanharam-na a tirar fotografias da casa do pai, para que a mãe as pudesse usar no processo de guarda. Diz que uma das fotos era um cocó seco do cão, em cima duma cama. 
A solução que encontraram foi ralhar com as miúdas. E quem me contou, ainda acrescentou, "já viste, esta mãe, a fazer uma coisa destas às miúdas? As miúdas têm que saber que não podem contar NADA à mãe." E eu fiquei doente. Com os dois progenitores, os avós e os amigos que andam com os conceitos todos trocados. Bem sei que há acidentes com animais, mas, para mim, a solução não passa por repreender uma criança e ensinar-lhe, tão cedo, que a vida dela tem que passar a ser um tabu. A solução, ali, devia passar por se ter uma casa tão apta àquela miúda que até a incentivariam a tirar as ditas fotos. O ambiente deveria ser-lhe tão acolhedor, que sentiriam orgulho por ter a necessidade de contar a quem quer que fosse, fosse uma mãe, uma amiga ou um juiz num tribunal. 
Tenho muita dificuldade em perceber pessoas que prendem crianças a uma corda, para medir forças e ver para que lado se puxa com mais força. Que não entendem que este laço, o terão para sempre e que mais valia tê-lo em harmonia. Isto que escrevo, parecer-me-ia óbvio, mas pelos vistos não é. Nem para os pais, nem para a pessoa que me contou. E isso revolta-me. 

terça-feira, 22 de abril de 2014

Em qualquer lugar

O meu sitio preferido não é no Porto nem em Lisboa. Não é em Paris, nem no Rio de Janeiro. O meu sitio preferido é aquela curva, de quem vem do teu ombro e vai para a tua barba. O meu sitio preferido é onde me encaixo, onde sinto o teu cheiro, onde roço a tua barba e toco a tua pele. No meu sitio preferido, não chove, nem faz sol. Não faz frio, nem faz calor. Traz-me essa brisa entre o quentinha e o fresquinha, assim em inha, porque nos vem do peito enquanto nos arrepia. No meu sitio preferido há poemas no silencio, silencio nas palavras. O meu sitio preferido és tu em mim e eu em ti. Em qualquer lugar.